02 julho 2010

O Homem perfeito

Retomando a temática sobre o comportamento dos homens, baseada no livro "Silêncio de Adão", nessa postagem, a última sobre o tema, preciso concluir com a referência de masculinidade colocada pelos autores.

Como os autores colocam, no centro entre esses dois padrões está o único homem perfeito, Cristo, a referência para os cristãos em todos os aspectos, inclusive quanto à masculinidade. Ele foi o único Homem que viveu a perfeita masculinidade: "perfeitamente sensível, mas, inconquistavelmente, forte; humildemente dependente, mas, resolutamente, determinado; consciente de cada detalhe, em cada relacionamento, mas inabalavelmente centralizado em Seu relacionamento prioritário". Segundo os autores "Jesus combinou em Si virtudes que são infalivelmente competitivas em nós" - sensibilidade e força.

Os homens sensíveis são aqueles tidos como "fracos". Na verdade são homens que se preocupam com o que se passam com as pessoas, são mansos, expõem suas fraquezas, não têm medo de chorar. Eles são intensos nos relacionamentos. Mas, não desfrutam, como dizem os autores, "a beleza da individualidade e independência dos outros". Assim, muitas vezes, prejudicam seus relacionamentos, pela sua dependência da atitude dos outros.

Os homens agressivos são mais enérgicos e concentrados nas tarefas que devem desempenhar. São muitas vezes os líderes por causa dessa postura. Na posição deles não podem se preocupar muito, como dizem os autores, "em magoar os outros e serem magoados". Muitas vezes, por estarem em evidência, são alvos de muitas críticas pesadas que os fazem construir sobre si uma capa protetora de insensibilidade. Por isso tudo, são pessoas que se concentram mais nas tarefas que nas pessoas. Assim, dificilmente percebem as necessidades dos que estão a sua volta.

Como se pode perceber, tanto sensibilidade quanto força podem ser virtudes e fraquezas. E preocupar-se com as pessoas é tão importante quanto preocupar-se com as tarefas. Como os autores mostraram, e eu concordo plenamente, Jesus foi um exemplo perfeito de homem que conciliou sensibilidade e força em sua vida. Fico me lembrando dos episódios narrados na Bíblia e vejo o quanto isso é verdadeiro, o quanto ele se sensibilizou com as pessoas e o quanto foi firme nos momentos em que precisou ser.

Seguir o exemplo de Jesus, independentemente da religião professada, deveria ser um alvo para todo o homem. Não à toa, brotam livros não religiosos citando Jesus como líder, psicólogo, etc.

Lendo o Evangelho de João me deparei com uma frase de Pilatos durante a crucificação de Cristo que não foi proferida com essa intenção, mas que diz muita coisa:
"Saiu, pois, Jesus trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Disse-lhes Pilatos: Eis o homem!" João 19.5

Naquele momento, o Homem perfeito, e toda Sua história de sensibilidade e força, era apresentado ao mundo.

06 junho 2010

Os padrões de relacionamento dos homens

Conforme combinado na postagem anterior, seguem os dois padrões extremos que os homens apresentam em seus relacionamentos. Em sua grande maioria, o que escrevo aqui está baseado, quase que literalmente, no livro que citei na postagem anterior.

Padrão 1: Dominados pela carência

De maneira geral, os homens dominados pela carência insistem que os outros estejam ali para eles. Dessa forma, a paixão da carência governa todas as decisões: "casar ou não casar; esta mulher ou aquela; tomar decisões que afetem a carreira; escolher atividades com amigos; resolver se bate ou não nos filhos". Ou em decisões menores, como: "Devo dizer a minha esposa o que sinto? Será que vou àquela festa? Devo me queixar do serviço com aquele garçom.”

Como um filho mimado, que sempre recebe o que precisa dos pais, acha que é um direito seu nunca ter de fazer as coisas por conta própria. Além disso, ele está sempre disposto a fazer coisas boas, aparentar bondade, ajudar os outros, às vezes, até com sacrifício, mas sempre com a exigência de ser notado por alguém.

Padrão 2: Dominados pela agressividade

Os homens que seguem esse padrão normalmente demonstram controle de suas carências ou mantém uma postura de distância afetiva das pessoas. Os homens governados pela paixão da agressividade têm, tipicamente, um histórico marcado por disciplina rígida, pais ocupados demais, mães distantes, igrejas inexpressivas, teologia legalista, de forma que um relacionamento profundo nunca existiu na experiência desses homens.

É possível que esses homens, anteriormente, estivessem famintos por relacionamento, mas depois perderam a esperança. Assim, preferem manter sua postura distante para não enfrentar mais seus desejos e mágoas. No fim, eles se tornaram aptos a encontrar prazeres de “um relacionamento à distância”. Os sucessos em alguma área da vida lhes deram a oportunidade de se sentirem poderosos e dignos de reconhecimento. A dependência de suas aptidões acaba sufocando o seu anseio humano por intimidade. Mas, é assim mesmo que eles querem que seja. “A distância mantém a segurança”.

Conclusões

Ambos os padrões desejam que os outros dêem aquilo que esperam, o homem com carência requer isso das pessoas mais íntimas enquanto os homens “agressivos” querem o respeito de uma audiência maior. No final, ambos são egoístas. E o problema é que ambos, com seus estilos, causam danos nas outras pessoas e não percebem. E quando percebem é que sentem um arrependimento genuíno. Quando percebem que suas atitudes afetam, incomodam e machucam as pessoas ao seu redor. Muitas vezes essa percepção chega num momento bem complicado, quando já não há como voltar atrás.

Quando há esse arrependimento, há sim o agir de Deus, no sentido de mostrar que vale muito mais abençoar os outros – nutrir a esposa, influenciar positivamente os filhos, encorajar os amigos. Contudo, a mudança de atitude não se desenvolve naturalmente e há sempre uma luta contra impulsos contrários. Lutar contra o ego não é fácil.

Todos os homens, se não estão completamente enquadrados em um dos padrões, apresentam tendência a um deles.

Por que tratar desse assunto?

Primeiro, porque percebo minha tendência a um dos padrões e sei o quanto isso não é bom e saudável. Desejo avidamente por conseguir ser um homem mais equilibrado, que se mantém no centro, entre os dois padrões. Esse tem sido motivo de muitas orações, pois sei que é difícil lutar sozinho.

Segundo, porque tenho escutado reclamações acerca do comportamento dos homens e desejo ver essa mudança em todos. Como cristãos, devemos buscar a genuína masculinidade, a criada por Deus e não deturpada pela humanidade. Espero que os homens busquem sinceramente se afastar desses padrões e que as mulheres entendam os homens e seus padrões, e ao invés de apenas criticá-los, os ajudem a mudar.

Continuarei tratando desses assuntos na próxima postagem!

Onde os homens têm errado nos seus relacionamentos?

Após um tempo distante do blog, voltei. Estava precisando resolver algumas etapas da vida e apesar de ter tido muitas idéias para o blog, me faltava tempo. Ainda tenho algumas pendências importantes para resolver, mas decidi dedicar um pouco do tempo para escrever sobre o que li nos últimos meses.

Estive, a passos bem lentos, lendo o livro “O Silêncio de Adão” do psicólogo Larry Crabb e dos terapeutas Don Hudson e Al Andrews. É um livro diferente, que busca falar diretamente a homens (digo sexo masculino mesmo). A idéia central, segundo penso, passa por mostrar o que Deus esperava do homem ao criá-lo e como o homem se corrompeu.

O título faz menção clara às atitudes do primeiro homem, segundo a Bíblia. Certamente a atitude de Adão, reprovada por Deus, já nos daria o que refletir. Acompanhou Eva na degustação do fruto proibido, não tomando a atitude de demovê-la, quando sabia que aquilo não era certo. Ele se calou. Não tomou a atitude certa. Pelo contrário, teve atitudes opostas. Primeiro, se acovardou e se escondeu. E, depois, culpou Eva e ao próprio Deus com a célebre frase: “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”.

Será que esse não tem sido um mal de muitos homens. Não ter atitude, se acovardar e culpar os outros pelos seus erros. Independentemente da sua crença acerca da existência de Adão e Eva, não há como não aprender com o pecado original. Eu tenho aprendido. E visto que tenho muito no que melhorar.

Esta é somente a introdução ao assunto. Pretendo na seqüência detalhar mais o que tenho aprendido e, se possível, contribuir para o aprendizado de outros. Na próxima postagem irei abordar, com base no livro, os dois padrões extremos que os homens apresentam em seus relacionamentos: homens dominados pela carência e homens dominados pela agressividade.

21 novembro 2009

Decisões motivadas pelo orgulho

Nos últimos dias precisei rever uma decisão tomada há 3 anos atrás. Na Igreja Presbiteriana - igreja da qual participo - existe um cargo de liderança chamado Diácono e, para decidir quais pessoas assumirão tal posto, a igreja se reune e faz uma votação. Não me lembro agora exatamente da data, mas acredito que tinha 23 anos quando em uma eleição, a igreja da qual sou membro atualmente, decidiu que um jovem deveria assumir o posto de Diácono, um líder. Esse jovem era eu mesmo.

O que posso relatar aqui é que num primeiro momento tive medo. Não queria a princípio assumir tal responsabilidade. Mas na época entendia que qualquer coisa que me pedissem para fazer deveria dizer SIM. Afinal, não dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Muitas pessoas votaram em mim. Não sei por qual motivo. Ou melhor, até imagino. Eu acabara de retornar de um projeto missionário na África e era um dos mais assíduos. Critérios suficientes para respaldar um voto. Penso que os eleitores votam sem pensar no cargo para o qual votam, mas olham apenas para as pessoas. Na própria política, às vezes, consideram votar em uma pessoa por ser honesta e não por sua capacidade de gestão.

Bom, além do medo que tive, um outro sentimento batia à minha porta: o ORGULHO. E eu, como bom cristão, lutava na minha consciência contra esse sentimento. Pensava: "Deus, se fui escolhido é porque tu queres, e não por meu merecimento, e etc". Era sincero, não queria sentir orgulho, mas... de fato, sentia. Tanto sentia que não tive coragem de não aceitar o cargo.

Dizer NÃO ao diaconato seria abrir mão de ser visto pelas pessoas como um jovem prodígio, o rapaz compromissado com a "obra de Deus", para ser visto como um fraco, um desistente, um pecador que se mostra desleixado com a obra de Deus. Isso afeta o EGO. E é aí, que fica explícito o meu orgulho. Na hora de tomar uma decisão racional, refletindo no meu real compromisso com o cargo para o qual estava me submetendo, pensei em primeiro lugar na minha IMAGEM. Pensei na forma como seria visto e no orgulho que me tomava, mas que a minha cara de "humildade" para as fotos, tentava esconder. As fotos não mostram o conflito interior que você enfrenta nesses momentos.

Enfim, hoje, tudo que estava escondido veio à tona. Não estava pronto para assumir aquele cargo. Talvez por não ser algo para o qual fui criado. Na linha dos livros "com propósito", poderia escrever um chamado "Diaconato sem propósito". Não consigo mais, ou nunca consegui, me ver de fato, como um diácono. Agora, simplesmente posterguei o prejuízo a minha IMAGEM, pois apesar de ainda ter o título, não exerço o cargo, e sou visto como aquele fraco, desistente e imaturo.

Por favor, não estou escrevendo isso como auto-punição ou como forma de me justificar. Poderia até mesmo por ORGULHO querer que todos leiam esse tópico e vejam como sou sincero, quase um coitadinho, vítima do mundo. Mas na realidade o intuito dessa postagem e do blog é mostrar o quanto somos falhos e imperfeitos, contudo, passando por um processo de construção dirigido por Deus.

Agora mesmo, posso estar lutando contra o orgulho de achar que escrevi uma postagem digna de um livro!! Esse é o ser humano e nas palavras bíblicas: "Não há justo, nem um sequer". Lutar contra nós mesmos é perda de tempo. Por isso que cremos que por mais que não mereçamos, Deus tomou a iniciativa de nos dar uma nova vida, por meio de Jesus que morreu desafiando religiosos cheios de ORGULHO, mas ressuscitou por ser Deus.

Não escrevo isso com tristeza, mas com alegria baseada na esperança de um novo tempo, onde nenhum de nós seremos como somos hoje. Hoje, tenho plena convicção que por mais que tente me mostrar seguro, sou inseguro. Por mais que tente me mostrar sábio, não entendo de quase nada. Entendo que assim meu relacionamento com Deus se torna mais intenso, pois aqueles que se acham o máximo - seguros, maduros, sábios - são os que não têm a oportunidade de experimentá-lo. A cada vez em que me sinto incapaz, é a Ele que recorro!

07 novembro 2009

Visões lúdicas de relacionamentos afetivos

Retomando as postagens sobre as minhas experiências, onde falo um pouco sobre as reflexões que faço no dia-a-dia, pretendo tratar aqui do que andei pensando sobre a forma como as pessoas se relacionam afetivamente. Ultimamente, algumas coisas que andei vendo me fizeram refletir sobre qual o meu posicionamento frente a essa questão.

Enfim, minha mente trabalhou segundo uma abordagem bastante lúdica, relembrando brincadeiras da infância. Pois é, me lembrei dos tempos do pique-pega e do pique-esconde. Acredito que vão entender onde quero chegar.

Todo o ser humano tem o desejo de se relacionar com pessoas do sexo oposto afetivamente...ou pelo menos deveria. É o natural, fomos criados assim. Contudo, a concepção de como a coisa deve se dar nem sempre é a mesma.

Levando a coisa na brincadeira, vejo que a grande maioria das pessoas curte mesmo é o pique-pega. Ou seja, todos correndo freneticamente de um lado para outro e daí é um tal de "tá contigo", "agora tá contigo" - ou "tô contigo", "agora tô contigo" se é que me entendem. E por aí vai...A variação é o que importa. A correria. A mudança. E os relacionamentos afetivos são extremamente transitórios, pois o que importa é dar dinâmica à coisa. É o número de vezes em que ocorre. Ora, entendo as pessoas que curtem isso, quem gosta do pique-pega, vai fundo. Dá pra se divertir. E, surgem sempre as brincadeiras sobre o "pegador" e o "pega ninguém", como no pique-pega. Quem brinca, se amarra nisso.

Existem outras pessoas que já curtem o pique-esconde. Aquele anseio por encontrar o que não está em evidência. O mistério. A análise de onde a pessoa poderia estar. A expectativa. Contudo, essa brincadeira, dependendo de onde a outra pessoa esteja escondida, demanda trabalho e paciência. Essa brincadeira é para aqueles que preferem algo menos frenético, algo do tipo relação 1 para 1, a pessoa que busca e a pessoa a ser encontrada. Um outro ponto: Já brincaram com alguém que se enconde num local mais improvável e nunca sai de lá? E a brincadeira dura um tempão. Pois é, isso acontece também na questão dos relacionamentos afetivos, o que acaba ou tornando a brincadeira mais intrigante ou mais cansativa e desanimadora. No todo, ela é para os que preferem esperar para ver se alguém sai do esconderijo ou então procurar até encontrar.

São dois tipos de abordagens e já vi as duas acontecendo. E cada uma possui os seus defensores fervorosos. Hoje, prefiro dizer apenas que compartilho da idéia do pique-esconde, pois sou um cara tranqüilo em busca de algo mais estável e menos dinâmico. E também parei de criticar os da outra abordagem, pois seria hipócrita em dizer que a dinâmica do pique-pega não é prazerosa. E que às vezes dá vontade de brincar. Tudo depende do ponto de vista. Do que te deixa satisfeito. Daquilo que sua consciência aprova.

E claro, existem os vira-casaca: Os que iniciaram no pique-pega e depois, cansados de correr, viram que na verdade queriam entrar na brincadeira do pique-esconde e os que iniciaram no pique-esconde e depois, cansados de procurar, migraram para o pique-pega.

O certo é que existem duas formas de pensar. A correta: é melhor não dar um veredito. Apenas me peguei refletindo nesse assunto, quando me confrontei com uma decisão sobre qual era o meu posicionamento.

Como usei e abusei da analogia, espero que não tenha ofendido ninguém, mas pelo contrário, tenha exposto alguma coisa, que é de interesse geral, de forma interessante. Talvez, tenha sido uma das postagens de maior intimidade, mas creio ser relevante, pois o assunto faz parte do nosso processo de construção.

20 outubro 2009

Que tipo de luz é você?

Talvez a pergunta-título desse tópico não faça o menor sentido para você. Talvez nunca tenha escutado alguém dizer que você é uma luz. Então, calma, isso não é esoterismo! É apenas uma metáfora. E é explorando essa metáfora - conhecida por muitos - que pretendo desenvolver aqui algumas analogias.

"O que na verdade somos? O que você vê quando me vê? Pra que serve a luz que não acende, não ilumina a escuridão?"

Esse é o trecho de uma música do grupo Fruto Sagrado. Ela faz referência a um dos ensinamentos de Cristo no chamado Sermão do Monte. Nesse discurso Jesus diz: "Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa."

A algum tempo, essa metáfora não me tem saído da mente. E tenho tido o desejo de escrever sobre isso. Ser luz do mundo!

Me imagino dizendo no meu trabalho ou na universidade: "Você sabia que eu sou luz do mundo? "Mas, nem quero imaginar o que pensariam de mim.

Na verdade, isso nem é para ser dito. É para ser vivenciado. E, é aí que mora o problema! Como é ser luz do mundo?

Normalmente, o que se enfatiza é que não se deve ser uma luz escondida debaixo de uma vasilha, como trata o discurso de Cristo e a música citada acima. Isso porque a luz deve estar exposta para ter utilidade.

Então, primeiro, pensava que ser luz do mundo era ser totalmente diferente. Ser brilhante, chamar a atenção. Quase a ponto de fazer a pergunta (idiota) que eu citei acima, no meu ambiente de trabalho, com o intuito de "evangelizar". Ora, é claro que se comportando dessa forma, usando um linguajar que ninguém entende, você chamará a atenção.

Na verdade achava que deveria ser um imitador de Cristo, mas numa forma divina ... não a humana. Queria que me vissem como um santo, puro e sem mácula. Porém, eu e Deus sabemos que as aparências enganam e o que eu mostrava por fora, não era o que tinha por dentro. Me cobrava sempre o demonstrar essa aparência. Afinal, queria mostrar que o cristão é uma pessoa "diferente".

Com essa forma de pensar, de fato, nos tornamos luz. Só que uma luz tão intensa, quanto a luz do Sol, que não conseguimos nem olhar para ela. E, dessa forma, passamos a ser assim, uma luz que incomoda, que repele e não aproxima. Talvez esse tenha sido o tipo de luz que já fui e que muitas vezes cismo em ser.

Sei que dessa forma, deixei de me relacionar com muitas pessoas que tinham o pensamento divergente do meu na faculdade, por exemplo. Querendo me mostrar diferente, santo, acabei repelindo pessoas que no fundo fazem coisas certas e erradas como eu. Se eu me mostrasse como um pessoa tão falível quanto (que é a verdade), poderia ter compartilhado da forma como entendo o tratamento dessas falhas, por meio de Deus.

Hoje, procuro tomar cuidado com a forma com a qual sou visto, pois quero ser visto como eu sou. Com erros, falhas, mas como uma esperança. A de que existe Deus e de que Ele de alguma forma quer que eu seja uma pessoa melhor.

Concluindo, devemos sim, cristãos, ser imitadores de Cristo. Mas não sendo diferente dos outros. Não querendo brilhar mais que os outros. Mas sendo iguais aos outros!

Ora, não temos aprendido e ensinado, que Deus, em Cristo, se fez como nós! E, quando Deus toma forma humana, Ele não está querendo ser diferente, mas igual!

Deus não deixou de ser Deus quando se tornou homem para se relacionar com os homens, em Cristo. E nem nós deixamos de ser cristãos, quando deixamos a "aparência de pureza", nos tornando amigos de quem não é. Espero que entendam o meu ponto de vista!

E o ensinamento de Cristo se encerra com a seguinte frase: "Assim, brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus."

25 julho 2009

A História da Torre de Babel e os nossos dias


A história é contada da seguinte forma:

"No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar. Saindo os homens do Oriente, encontraram uma planície em Sinear e ali se fixaram. Disseram uns aos outros: "Vamos fazer tijolos e queimá-los bem". Usavam tijolos como pedras, e piche como argamassa. Depois disseram: "Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra".
O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os homens estavam construindo. E disse o Senhor: "Eles são um só povo e falam uma só língua, e começaram a construir isso. Em breve nada poderá impedir o que planejam fazer. Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros". Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra."

Antes de escrever esta postagem, dei uma olhada no wikipedia para ver o que se tem dito sobre esse acontecimento e qual o entendimento que se tem sobre o seu contexto histórico. Encontrei diversas coisas interessantes que desejei publicar aqui. Entretanto, tomei a decisão de não publicar, pois, apesar da relevância do contexto histórico, não é exatamente sobre isso que pretendo tratar aqui.

Assim, mais do que a história de um povo específico em uma determinada época, esse texto bastante antigo expõe aspectos críticos do caráter da humanidade: a auto-suficiência, o egocentrismo e a obstinação. Estes três aspectos podem ser claramente observados nos nossos dias, o que torna a história da Torre de Babel uma boa reflexão.

Desses três, prefiro iniciar ressaltando a obstinação do ser humano, essa mesma que o impulsiona a inovar criando uma série de benefícios nas áreas da Tecnologia, Saúde e Educação. De fato, o ser humano busca sempre oferecer soluções que lhe proporcionem maior conforto durante sua estadia nesse mundo. Isso é uma característica intrínseca do ser humano que merece reconhecimento e louvor. Seria até hipócrita se não desse valor aos que proporcionaram a energia elétrica, os computadores, a internet e até mesmo a infra-estrutura que suporta este blog.

Ora, mas por outro lado, o problema é que essa obstinação não vem sozinha; ela é acompanhada da auto-suficiência e do egocentrismo. O egocentrismo faz com que o homem passe a usar toda a sua obstinação com o propósito de se vangloriar, de se achar o tal, de obter fama e sucesso. Esse é um perigo real. Assim, a torre de Babel dos dias atuais passa a ser construída para que todos vejam e a frase mais pretensiosa registrada se repita: "Assim nosso nome será famoso". É bem verdade que muitas vezes essa frase se encontra apenas no nosso subconsciente, sempre que fazemos algo com o intuito de sermos engrandecidos.

Por fim, quanto à auto-suficiência, julgo ser o pior desses aspectos críticos da humanidade, pois quando o ser humano se obstina a desenvolver grandes empreendimentos com esse foco, o que tem em mente é que definitivamente ele está demonstrando sua independência de Deus. A torre de Babel nada mais foi do que a tentativa de realizar um empreendimento que desobedecia o plano de Deus, no que se refere à dispersão do ser humano pela Terra. Quando disseram que com a torre construída não seriam dispersados pela Terra, na realidade pensavam que eles poderiam assim contrapor algo natural planejado por Deus.

Ora, é só pensar um pouco para fazer a comparação desse acontecimento, com o desenvolvimento da clonagem e com as experiências com partículas atômicas. Entendam bem, não sou contra o progresso pelo bem de todos, pois acredito que Deus criou o homem e o criou com essa criatividade que o difere absurdamente dos demais animais. O que me intriga é que parece que muitos cientistas querem com essas "torres de Babel", findar seu trabalho, subir até o topo, olhar para um lado e para o outro, estufar o peito, e falar: "Consegui provar: Não há Deus". Tenho dúvidas de que muitos neo-construtores de torre tem como grande meta alcançar tal prova científica.

Parece meio catastrófico, apocalíptico e radical o que vou dizer daqui em diante, mas é preciso ser dito. Tal como os construtores da torre de Babel confrontaram o divino de forma contundente, atribuindo toda a glória aos seus próprios esforços, muitos têm repetido essa atitude nos nossos dias. Confesso que isso tem me cansado e tenho visto nisso o cumprimento do que a Bíblia afirma sobre o esfriamento da fé de muitos.

Hoje, poucos são os que consideram realmente o Criador em suas vidas. Na história narrada, num determinado momento, Deus interveio e pôs um fim. O que nos garante que num dado momento, num piscar de olhos, o final dessa história não se repita? Parece que essa é mais uma das incertezas que precisamos lidar na vida e que tudo, enfim, se resume a uma questão de fé. No dia em que ocorrer a intervenção definitiva, se é que você acredita, não haverá desculpas, pois, incrivelmente, o livro onde esta história é narrada possui exemplares espalhados por todo o mundo esperando que alguém o leia.